Parabéns São Paulo - Gosto de mesmo assim

Um dia tá pra santa
Outro tá pra puta
Um dia alegre 
Outro infeliz
Tanto pra ricos
Como pra pobres
Tanto pra negros
Como pra brancos
Pra uns transmite consolo
Pra outros ela é o terror
Causa pânico.
Ela é assim mesmo
Cheia de controvérsias
Na mesma hora que te abriga 
Te manda embora
Te dá amor e desperta fúria...
Essa é a cidade de São Paulo
O que fazer
Se gosto dela mesmo assim...
Eu estou dentro dela
E ela dentro de mim...






Poema publicado em Cadernos Negros volume 33 - São Paulo 2010.

Mulheres e meninas são estupradas na Somália


Mogadíscio, Somália _ A voz da menina silenciou enquanto ela se lembrava da tarde ensolarada em que saiu de sua cabana e viu sua melhor amiga enterrada na areia até o pescoço.
A amiga tinha cometido o erro de se recusar a se casar com um comandante do al-Shabab. Agora, ela seria agredida com pedras.
"Você é a próxima", um membro do al-Shabab alertou a menina, uma frágil jovem de 17 anos que morava com o irmão num acampamento de refugiados.
Vários meses depois, os homens voltaram. Cinco militantes invadiram sua cabana, imobilizaram-na e a estupraram, ela afirmou. Eles alegavam estar numa jihad, ou guerra santa, e qualquer resistência era considerada um crime contra o Islã, punível com a morte.
"Tive pesadelos muito ruins com esses homens", afirmou a garota, que recentemente escapou da área que eles controlam. "Não sei de que religião eles são."
A Somália vem sendo destruída por décadas de conflitos e caos, com suas cidades em ruínas e seu povo passando fome. Em 2011, dezenas de milhares de pessoas morreram de inanição, e inúmeras outras foram mortas em combates incessantes. Agora, os somalis enfrentam mais um terror disseminado: um crescimento alarmante nos casos de estupro e abuso sexual de mulheres e meninas.
O grupo militante al-Shabab, que se apresenta como uma força rebelde moralmente justificada e defensora do Islã puro, está capturando mulheres e meninas como espólios de guerra, estuprando-as e abusando delas como parte de seu reino de terror no sul da Somália, de acordo com vítimas, agentes humanitários e funcionários da ONU. Sem dinheiro e perdendo terreno, os militantes também estão obrigando famílias a entregar meninas para casamentos arranjados que muitas vezes não duram mais do que algumas semanas e são basicamente uma escravidão sexual, uma forma barata de elevar o moral debilitado dos seus homens.
Mas o al-Shabab não é o único culpado. Segundo agentes humanitários e vítimas, nos últimos meses tem havido ataques generalizados de homens armados contra mulheres e meninas desalojadas pela fome no país, que muitas vezes percorrem centenas de quilômetros em busca de comida e acabam em acampamentos de refugiados lotados e sem lei, onde militantes islamitas, milicianos perigosos e até soldados do governo estupram, roubam e matam sem qualquer punição.
"A situação está se intensificando", afirmou Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para crianças e conflitos armados.
Os combates recentes criaram um pico nos estupros oportunistas, ela disse, e "para os Shabab, o casamento forçado é outro aspecto que eles usam para controlar a população".
Nos últimos meses, apenas em Mogadíscio, a ONU firma ter recebido mais de 2.500 relatos de violência contra mulheres, um número bastante alto. Mas, como a Somália é uma zona restrita para a maior parte das operações, funcionários da ONU afirmam não ser capazes de confirmar os relatos, deixando o trabalho para incipientes organizações de ajuda da Somália, que sofrem constantes ameaças.
A Somália é um lugar profundamente tradicional, onde 98 por cento das meninas passam pela mutilação genital, de acordo com dados da ONU. A maioria das garotas é analfabeta e fica restrita ao lar. Quando saem, geralmente é para trabalhar, caminhando penosamente pelos becos cheios de entulhos e cobertas por um pano preto grosso da cabeça aos pés, muitas vezes carregando algo nas costas, no calor do sol equatorial.
A fome e o consequente deslocamento em massa, iniciados no verão, deixaram as mulheres e meninas mais vulneráveis. Muitas comunidades somalis foram dispersas. Com grupos armados obrigando homens e garotos a se unirem a suas milícias, muitas vezes são as mulheres sozinhas, levando os filhos, que partem para a perigosa odisseia até os acampamentos de refugiados.
Ao mesmo tempo, agentes humanitários e funcionários da ONU afirmam que o grupo al-Shabab, que está combatendo o governo de transição da Somália e impondo uma versão bastante rígida do Islã nas áreas que controla, já não consegue mais pagar seus milhares de combatentes da mesma forma que antes. Apesar de confiscar plantações e gado, dar aos milicianos "esposas temporárias" é a forma pela qual o al-Shabab mantém muitos jovens em seu grupo.
Mas isso não chega nem perto de um casamento, afirmou Sheik Mohamed Farah Ali, ex-comandante do al-Shabab que passou para o lado do exército do governo.
"Não há cerimônia religiosa, nada", ele disse, acrescentando que os combatentes do al-Shabab já chegaram a se casar com meninas de até 12 anos, que ficam incontinentes pela agressão sexual. Se uma menina se recusa, disse, "ela é morta com pedras ou a bala".


CADERNOS NEGROS VOLUME 34

Para os preconceituosos de plantão que falam que não existe Literatura Negra Brasileira, ou se preferir Afro-brasileira, lamento informar que no dia 17 de Dezembro vamos lançar o volume 34 da coleção Cadernos Negros. 
É isso aí, desde 1978 este trabalho é publicado com a participação de vários autores que este ano são:
Ademiro Alves (Sacolinha)
Adilson Augusto
Claudia Walleska
Conceição Evaristo
Cristiane Sobral
Cuti
Débora Garcia
Denise Lima
Elizandra Souza
Esmeralda Ribeiro
Fátima Trinchão
Fausto Antônio
Guellwaar Adún
Henrique Cunha Jr.
Jairo Pinto
Luís Carlos ‘Aseokaýnha’
Mel Adún
Míghian Danae
Miriam Alves
Onildo Aguiar
Thyko de Souza.
Para os irmãos, independente da cor da pele que aprecia ou quer conhecer o melhor da Literatura Afro-brasileira, pode chegar
dia 17/12 – SÁBADO às 17h – na Feira Preta
Centro de Exposições Imigrantes 
Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – Metrô Jabaquara 
Tel.: 5067-6767

Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica


DIA 06 DE DEZEMBRO - TERÇA - A PARTIR DAS 19H30
Acontece o lançamento desta caixa com 04 livros, trabalho fundamental feito pela editora da UFMG:
Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia críticaEduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca (orgs.) 

Na Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 - Centro - SP
Tel.: 3256-5270

Composto de quatro volumes, Literatura e afrodescendência no Brasil é fruto de pesquisa realizada em todas as regiões do país com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período colonial. Esta antologia crítica envolveu 61 pesquisadores, vinculados a 21 instituições de ensino superior brasileiras e seis estrangeiras. O resultado apresenta a faceta afro da literatura brasileira, num total de 100 escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos, contendo dados biográficos, estudo de obra, relação de publicações e de fontes de consulta.
 Precursores – volume 1 - 583 páginas É dedicado aos autores afrodescendentes nascidos antes de 1930. Cobre um amplo painel que se inicia no século XVIII com Domingos Caldas Barbosa, passa por Luiz Gama e Maria Firmina dos Reis, com suas obras pioneiras em meados do século XIX, chega a Machado de Assis, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, Lima Barreto e abarca ainda autores do século XX, tais como Nascimento Moraes, Lino Guedes, Solano Trindade, Abdias Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Mestre Didi, Eduardo de Oliveira e Carlos de Assumpção.
 Consolidação - volume 2 - 441 páginas O segundo volume se inicia com o poeta e ficcionista Oswaldo de Camargo e trata de escritores nascidos nas décadas de 1930 e 1940, entre eles Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes, Muniz Sodré, Conceição Evaristo, Adão Ventura, Paulo Colina, Oliveira Silveira, Domício Proença Filho, Geni Mariano Guimarães e Arnaldo Xavier. Aborda ainda o memorialismo angustiado de Francisca Souza da Silva, em sua perambulação pelas cozinhas, ruas e favelas brasileiras.
 Contemporaneidade – volume 3 - 565 páginas Apresenta ensaio de Maria Nazareth Soares Fonseca sobre Cuti – poeta, ficcionista, um dos fundadores da série Cadernos Negros – e abarca um conjunto de 39 escritores nascidos na segunda metade do século XX: Miriam Alves, Edimilson de Almeida Pereira, Esmeralda Ribeiro, Salgado Maranhão, Éle Semog, Lia Vieira, Márcio Barbosa, Ronald Augusto, Paulo Lins, Ana Maria Gonçalves, José Carlos Limeira e Jônatas Conceição, entre outros.
 História, teoria, polêmica – volume 4 - 419 páginas Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca (org.) Contempla reflexões sobre o projeto de uma literatura negra ou afro-brasileira a partir de visões diferenciadas e contrastantes. Traz depoimentos dos escritores Abdias Nascimento, Oswaldo de Camargo, Cuti, Conceição Evaristo, Márcio Barbosa e Esmeralda Ribeiro, empenhados na construção dessa vertente. Além disso, apresenta textos críticos de Octávio Ianni, Silviano Santiago, Zilá Bernd, Leda Maria Martins, Zahidé Muzart, Maria Nazareth Soares Fonseca, Eduardo de Assis Duarte, Regina Dalcastagnè e Marcos Antônio Alexandre.
No lançamento a caixa será vendida com desconto. Para maiores informações consulte o catálogo da UFMG neste endereço:http://www.editoraufmg.com.br/ (utilize a busca para achar o livro).
HOMENAGENS: Carlos de Assumpção, Eduardo de Oliveira
CONVIDADOS ESPECIAIS
Abelardo Rodrigues, Abílio Ferreira, Ademiro Alves (Sacolinha), Allan da Rosa, Alzira Rufino, Carlos de Assumpção, Cidinha da Silva, Cuti, Eduardo de Oliveira, Estevão Maya-Maya, Esmeralda Ribeiro, Fausto Antônio, Geni Guimarães, Heloisa Pires Lima, Henrique Cunha Jr., Jamu Minka, Luís Carlos de Santana, Miriam Alves, Márcio Barbosa, Oswaldo de Camargo, Paulo Lins, Ramatis Jacino, Ruth Guimarães, Sônia Fátima da Conceição.

E dia 17 tem o lançamento do livro Cadernos Negros volume 34.

E para quem é de SP, repassamos o seguinte comunicado:
SELEÇÃO DE PESSOAS PARA APLICAR PESQUISA NA FEIRA PRETA
 
A PARTIR DA PARCERIA do MAS PESQUISA COM O INSTITUTO FEIRA PRETA, PARA A REALIZAÇÃO DA SEGUNDA PESQUISA COM O PÚBLICO DA FEIRA, O MAS ESTÁ SELECIONANDO PESQUISADORES PARA TRABALHAREM NOS DIAS 17 E 18 DE DEZEMBRO NO HORÁRIO DA FEIRA. OS CANDIDATOS TÊM QUE TER ACIMA DE 18 ANOS E AO MENOS O COLEGIAL COMPLETO. Os candidatos selecionados terão : Diária + Condução + Alimentação + 2 Ingressos para a Feira.
 OS INTERESSADOS DEVEM LIGAR PARA JULIO OU CRIS NO FONE 11-4183.5770.
  LinK para curriculos:

CURSO A DISTÂNCIA
Foi lançada no sábado, 26 de novembro 2011, a Plataforma Afro, uma iniciativa do Instituto Diáspora Afro, que visa democratizar o acesso de cidadãos afrodescendentes à sua História, com cursos na modalidade de Educação a Distância – EAD. O Ambiente Virtual de Aprendizagem utiliza o software Moodle, os cursos serão oferecidos gratuitamente e exclusivamente à distância.
As inscrições para o curso “Racismo Científico: Doutrinas Raciais do século XIX” o primeiro da Plataforma Afro, começam no dia 12 de dezembro, no site do Instituto Diáspora Afro e contará com carga horária de 60 horas.
http://www.institutodiasporaafro.org/

Semana da Consciência Negra na Fundação Florestan Fernandes - Diadema 2011

Agradeço à Neusa Rocha e a todos por manter viva a chama e a ideologia de Zumbi e todos aqueles que lutaram no Quilombo dos Palmares por igualdade e justiça.
Valeu Zumbi, sempre valerá....












Presidenta institui Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra


Lei sancionada no dia 10 de Novembro designa comemoração anual no 20 de Novembro
 Em todo o país a data é comemorada com marchas e outras atividades
A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou ontem (10) a Lei 12.519, que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A resolução oficializa uma iniciativa bem-sucedida dos movimentos sociais negros, iniciada em meados dos anos mil novecentos e setenta.
Hoje, incorporado ao calendário das escolas e de muitas outras instituições públicas e privadas, o 20 de Novembro destaca-se como um evento cívico vibrante e de grande participação popular.
“As justas homenagens que prestamos a Zumbi e seus companheiros e companheiras exprimem o reconhecimento da nação às lutas por liberdade e pela afirmação da dignidade humana de africanos e seus descendentes que remontam ao período colonial”, declara a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros.
O Dia Nacional da Consciência Negra já é celebrado em 20 de Novembro e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Apesar do ponto alto da celebração coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, a cada ano as atividades alusivas à data são expandidas ao longo do mês, ampliando os espaços dedicados à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade.
Um número cada vez mais significativo de entidades da sociedade civil, principalmente o movimento negro, tem se mobilizado em todo país, em torno de atividades relativas à participação da pessoa negra na sociedade em diferentes áreas: trabalho, educação, segurança, saúde, entre outros temas.
Neste Ano Internacional dos Afrodescendentes – instituído por Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Nacional da Consciência Negra ganha caráter internacional. No Brasil, o ápice desta celebração será o AfroXXI – Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodecendentes, que acontece em Salvador, de 16 a 19 de novembro. O evento reunirá representações de países sul-americanos, caribenhos, africanos e ibero-americanos, em torno de debates acerca da situação atual desses povos nas regiões participantes.
A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1997, Zumbi faz parte do Livro dos Herois da Pátria, no Panteão da Pátria e da Liberdade.
Fonte: SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

UFMG lança coletânea com antologia afrodescendentes


Obra reúne 100 escritores de todo o país, desde o período colonial

   Dezenas de poetas de talento, autores mais conhecidos pela produção científica ou musical, e outros cuja faceta afro ainda precisava ser revelada. Cem escritores de todo o Brasil, do século 18 aos dias de hoje, compõem os quatro volumes de Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, que a Editora UFMG lançou em outubro.
   O ineditismo da empreitada – que durou mais de dez anos e envolveu 61 pesquisadores de 27 instituições, seis delas estrangeiras – é garantido pelo resgate de autores em grande medida esquecidos pela historiografia literária vigente, segundo o professor Eduardo de Assis Duarte, da Faculdade de Letras da UFMG, organizador da obra.
 Além disso, segundo ele, a obra pode ser chamada, sem receio da redundância, de antologia crítica. "Antes dos poemas, contos ou trechos de narrativas mais longas, o livro traz estudos sobre os autores e indicações de consulta", explica Duarte. Ele conta também que o último volume reúne depoimentos de escritores e artigos que discutem sob diversos ângulos o "veio afrodescendente da literatura brasileira".
 Eduardo Duarte chama a atenção para a oportunidade criada pelo livro de se iniciarem novas pesquisas sobre autores como Muniz Sodré – cientista social que escreveu contos e romances – e Joel Rufino dos Santos, historiador que produziu "romances instigantes, inovadores na forma e no conteúdo". O mesmo acontece com Nei Lopes e Martinho da Vila, expoentes do samba que também escrevem poemas e contos. Outro mérito da antologia seria, salienta o organizador, abordar aspectos novos da produção de Machado de Assis, Lima Barreto e Cruz e Souza, "embranquecidos pela capacidade de absorção do establishment literário, que ignora a questão racial".
 Mapeamento em rede
 A publicação é resultado de enorme esforço de mapeamento e seleção em rede – lançando mão em grande parte de mensagens eletrônicas –, que distinguiu autores de ficção, teatro e poesia com pelo menos um livro publicado. Há mais poetas que autores de prosa. "A poesia parece ser o ponto de partida de grande parte desses autores. No momento, cresce a produção em prosa, sobretudo de contos", afirma Eduardo Duarte.
 Quanto à distribuição por gênero, ele ressalta que até meados do século 20, é imenso o predomínio da autoria masculina. "A mulher negra surge, então, mais como personagem, embora com tratamento diferente daquele dado, em especial, às mulatas pela escrita dos brancos." Nas três últimas décadas, acrescenta o organizador, cresceu bastante a participação da mulher como autora.
O primeiro volume de Literatura e afrodescendência no Brasil é dedicado aos "precursores", autores nascidos antes de 1930: desde Domingos Caldas Barbosa, no século 18, até Machado e José do Patrocínio. A antologia segue com os escritores que publicaram na segunda metade do século passado, como Domício Proença Filho e Francisca Souza da Silva, que tratou das cozinhas, ruas e favelas brasileiras.
 O volume 3 aborda 39 autores contemporâneos, como Esmeralda Ribeiro, Paulo Lins e José Carlos Limeira. Na última parte, a obra reflete sobre o projeto de uma literatura afro-brasileira explorando visões contrastantes. Há depoimentos de Abdias Nascimento e Cuti – poeta e ficcionista, fundador da série Cadernos Negros – e textos críticos de Silviano Santiago, Zilá Bernd e Regina Dalcastagnè, entre outros.
 No caso de um trabalho tão amplo e intenso, é de se esperar que, além de iluminar talentos desconhecidos, contenha histórias incomuns. Luiz Gama se enquadra nas duas situações. Aos 10 anos, ele foi vendido pelo próprio pai e viveu cativo até a maioridade. Transformou-se em abolicionista e "advogado de escravos", tendo libertado mais de mil deles. Além de petições e outros textos jurídicos, escreveu poemas e crônicas. "Há 150 anos, quando a ciência reduzia o negro a mera força de trabalho braçal, Luiz Gama se autointitulava 'Orfeu da Carapinha' e proclamava sua adoração à 'Musa da Guiné'", conta Eduardo Duarte.